
No caso de rejeição, as razões dadas pelos recrutadores para não contratar variam e vão desde aspectos da vida pessoal compartilhados nas redes, como postagem de fotos e comentários impróprios, discriminatórios ou relacionados ao uso de drogas e álcool, até “gafes” profissionais, como comentários negativos sobre empregadores anteriores, compartilhamento de informação confidencial de trabalhos passados e mentiras sobre qualificações. Também é motivo para não contratar, segundo os pesquisados, a falta de habilidade para se comunicar nas redes sociais.
Para a presidente do grupo DMRH e colunista do Valor Sofia Esteves, um exemplo comum de comentário em rede social que pode ajudar ou prejudicar, dependendo da abordagem escolhida pelo usuário, é a crítica. Postar análises e comentários construtivos e embasados passa a informação ao recrutador de que o candidato sabe se comunicar. “Mas tem gente que exagera, usa palavra de baixo calão, o que prejudica a imagem profissional”, explica Sofia. Falar mal de empregadores anteriores e reclamar demais do emprego atual também são erros graves, assim como criar um perfil em um site de relacionamento profissional enquanto ainda está empregado e deixar transparecer que a única intenção é procurar outra vaga. “Se você tiver dúvida se deve ou não postar algo, é preciso se perguntar se você falaria aquilo ao vivo”, completa a consultora.
Estar presente nas mídias sociais apenas para “entrar na onda”, sem compreender exatamente como utilizá-las, também pode causar prejuízos. “Se você não souber se comunicar direito nas redes, melhor nem estar ligado a elas”, explica a consultora sênior da DMRH Giuliana Hyppolito. Para ela, que é responsável pela área de mídias sociais na DMRH, o melhor, nesse caso, é não se expor.
Entre os recrutadores que dizem ter contratado pessoas depois do que viram nas redes sociais, a pesquisa aponta que as principais razões foram a boa impressão passada pelos perfis em relação à personalidade e organização, o fato de o perfil confirmar as qualificações profissionais, mostrar criatividade, boa comunicação e dinamismo, além de apresentar boas referências e prêmios recebidos pelo candidato.
Mais de 90% dos recrutadores consultados dizem usar os sites de relacionamento para pesquisar mais sobre os candidatos. Desses, quase metade (47%) costuma fazer a investigação on-line logo após o recebimento do currículo. Cerca de um quarto (27%) o faz depois da primeira conversa e 15% só checam as redes sociais após seguidas conversas, que detalham melhor o perfil do profissional.
Para detectar aspectos positivos ou negativos dos candidatos, 76% utilizam o Facebook, 53% preferem o Twitter e 48%, o LinkedIn.
Letícia Arcoverde | Valor Online- 04/11/2011